Texto Avulso

Branca Rosa e os sete Gigantes

Rio Grande do Sul, 1855…

Há muitos e muitos anos, vivia em uma grande estância nos Pampas gaúchos um jovem estancieiro e sua esposa. A jovem sonhava em ser mãe e durante aquela manhã decidiu caminhar pelo jardim e colher flores, para enfeitar a sala de jantar. O dia estava lindo e ela amava rosas. Quando passou pela roseira ficou abismada, pois, nunca havia visto rosas tão lindas quanto aquelas. Rosas-brancas que naquele dia estavam magnificas e envoltas em uma magia. Com muito cuidado colheu a rosa.

A pobre estava tão maravilhada que não lembrou que a flor tinha espinhos e espetou o dedo. Rapidamente o sangue escorreu por seu dedo e pingou sobre as pétalas. Naquele momento seu pensamento foi longe e ela desejou que seu filho tivesse a pele branca e sedosa como daquela rosa; que seus lábios fossem vermelhos como o sangue; que tivesse olhos mais verdes que o caule daquela rosa, cabelo mais escuro que as assas do tecelão.


Algum tempo depois a jovem teve uma menininha linda. Que para sua surpresa nasceu conforme o desejo do seu coração. Lembrando-se daquele dia, a jovem, deu a menina o nome de Rosa Branca, pois, a menina havia nascido com a pele clara e sedosa, com a boca vermelha, olhos verdes como o caule e com os cabelos negros como as assas do tecelão. Infelizmente dias depois a pobre moça ficou muito doente e morreu.

O jovem estancieiro ficou muito triste e com uma pequena criança para cuidar. Sentia-se sozinho e precisava de ajuda para criar e educar a menina; o rapaz, decidiu se casar novamente. Casou-se com uma mulher bonita, elegante e educada; mas, que era muito arrogante, invejosa e vaidosa. O que o rapaz não sabia era que sua nova esposa era uma grande bruxa. Como era conhecedora de feitiços, a bruxa, aprisionou um de seus criados no espelho. Os anos foram passando e a feiticeira ficava dia e noite em frente ao espelho admirando sua beleza e dizendo:
–– Espelho, espelho meu… existe alguém mais bela do que eu!?
–– Não, minha senhora, não há ninguém mais bela que você! –– respondia o espelho.


Enquanto a madrasta de Rosa Branca ficava na frente do espelho; a menina ia crescendo bonita e inteligente. Forçada pela madrasta a fazer trabalhos pesados. Rosa Branca chamava a atenção pela beleza, pelo carisma e pelo carinho que distribuía a todos. Era amada pelos criados da estância. Os anos se passaram e a menina foi se tornando mulher. Diariamente a madrasta fazia aquela pergunta ao espelho; que sempre lhe dava a mesma resposta, mas um dia para sua surpresa recebeu uma resposta diferente:
–– Sim, minha senhora…. Há alguém mais bela que a senhora!
–– E quem se atreve a tomar meu posto de mais bela?
–– Rosa Branca, senhora… ela é a mais bela!


O pai da menina viajava muito e em uma dessas viagens não voltou mais, deixando a menina aos cuidados da madrasta. Diante daquela resposta do espelho; a bruxa invejosa e arrogante mandou chamar o capataz da fazenda e deu-lhe ordens horrendas:
–– Leve-a para o meio do mato, mate-a e me traga o coração. Quero o coração de Rosa Branca em uma badeja. Quero provas de que realmente a matou!

O capataz obedeceu às ordens da senhora. Mas como possuía carinho pela moça e gostava muito de seu falecido patrão; o peão decidiu não concluir a tarefa que havia lhe sido dada. Quando chegou na mata disse a menina:
–– Fuja, Rosa Branca… vá para bem longe! E nunca mais apareça na fazenda; pois, vossa madrasta ordenou que eu a matasse e levasse seu coração para ela. –– O capataz matou uma onça e levou seu coração em uma bandeja. Para deleite da madrasta.

Sem entender nada e chorando muito Rosa Branca saiu desesperada pela mata, andou pelos pampas, passou por velhas ruínas, por vales e matas gaúchas. O dia estava frio. Menina andou por dias e horas. No final do terceiro dia e já exausta; a jovem, encontrou no interior da mata uma casa enorme, com uma porta admirável. Chamou por várias vezes e ninguém apareceu. Cansada e com fome entrou, viu que a casa estava bagunçada. Foi então que decidiu arrumá-la e preparar algo para comer. Assim o fez; depois que arrumou a casa fez uma sopa e ao final do dia resolveu deitar-se em uma daquelas camas enormes. Eram sete camas gigantes, a ‘priori’ achou estranho, mas como estava cansada resolveu dormir um pouco.


Já era noite quando os donos daquela casa voltaram para casa. Ali era tudo gigante e eram sete camas, sete pratos em tudo era sete. A casa gigante pertencia a sete gigantes. Ao entrarem na casa se assustaram a casa estava limpa e a comida feita. Os gigantes foram ao quarto e avistaram Rosa Branca dormindo, um deles então disse:
–– Mas que jovem linda.


Conversaram e resolveram deixa-la dormir. Na manhã seguinte Rosa Branca levou um susto acordou cercada por sete gigantes; mas logo o medo passou, pois, percebeu que era bem-vinda. Enquanto tomavam café ela os contou sua história, sensibilizados decidiram acolhe-la. Ela ficou feliz e aceitou o convite para morar com eles. Antes de sair o mais velho deles disse:
–– Cuidado, não abra a porta e nem fale com nenhum estranho.
Os dias passaram e ela se adaptou aquela nova vida. Ela cuidava da casa dos sete gigantes e eles trabalhavam em uma fazenda. Certo dia a Madrasta resolveu perguntar ao espelho novamente:
–– Espelho, espelho meu existe alguém mais linda do que eu?
–– Sim, há… Rosa Branca, que ainda vive em uma grande casa na mata! –– respondeu o espelho.
A velha senhora chamou o capataz que acabou confirmando:
–– Rosa Branca está viva sim, minha senhora, só não sei onde.


A velha mandou matar o capataz. Decidida a matar Rosa Branca, a madrasta se vestiu de velha e saiu a procura da casa dos sete gigantes. Quando a encontrou a velha bateu na porta, sem reconhecer a voz Rosa Branca abriu e a pedido da velha serviu-lhe água. Gentilmente Rosa Branca serviu-lhe água e alguns biscoitos.
–– Não sei como agradecer, estava morta de sede. Obrigada, minha filha… queira aceitar um desses deliciosos pêssegos!? –– disse a bruxa, enquanto colocava a cesta que trazia sobre a mesa.


Sem jeito Rosa Branca pegou o fruto e deu-lhe uma bela mordida; caindo em um sono profundo logo em seguida. O Pêssego estava envenenado. A velha logo desapareceu feito, fumaça, deixando cair todas as outras frutas. A noite os gigantes voltaram para casa. Rosa Branca estava tão linda que decidiram não a enterrar; colocaram-na em um caixão transparente e deixaram-na em uma clareira nos Pampas. Desde aquele dia o espelho nunca mais disse que havia alguém mais bela que a velha bruxa má. Dizia sempre:
–– Não, não há ninguém mais bela que minha senhora! –– dizia o espelho. A bruxa ficava feliz por ser a mais bela dos Pampas Gaúchos.


Os dias foram se passando e Rosa Branca estava ficando cada dia mais, bela. Estava mais bela do que quando estava viva. Ao seu redor a natureza e os bichos da mata passaram a pajear seu túmulo. Um belo dia um jovem rapaz cavalgava pela mata e avistou sobre aquela clareia os sete gigantes e os animais, que faziam guarda ao caixão transparente. Ele então se aproximou e de forma mágica ficou encantado com tamanha formosura.
–– Quem és essa bela moça?
–– És uma jovem que acolhemos e que não sabemos como morreu.
–– Está morta? Parece-me tão viva, que beleza é essa!? –– O jovem apeou de seu cavalo e se aproximou. –– Posso tirar essa cúpula de vidro que recobre tamanha beleza?
–– Pode, meu senhor!


E foi isso que o rapaz fez; tirou a cúpula de vidro e extasiado com tamanha beleza atreveu-se a beija-la. Naquele mesmo instante os batimentos da menina retornaram e o sangue voltou a correr em suas veias. Assustados os gigantes fizeram festa e os pássaros cantaram. O jovem rapaz pegou Rosa Branca nos braços e a colocou sobre seu cavalo. Os dois seguiram mata adentro e anos depois se casaram.